Resistência antimicrobiana é ameaça global, diz OMS

O mundo está mobilizado contra a resistência antimicrobiana, eleita pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das dez maiores ameaças à saúde pública global. Sem a tomada de ações, estima-se que até 2050 o problema causará, anualmente, a perda de 10 milhões de vidas em todo o mundo, além de um prejuízo econômico de 100 trilhões de dólares. Neste ano, a principal mobilização acontece de 18 a 24 de novembro, durante a Semana Mundial de Conscientização sobre Antimicrobianos.

A ação conta com o apoio da Coalizão Internacional de Autoridades Reguladoras de Medicamentos (International Coalition of Medicines Regulatory Authorities – ICMRA), formada por 29 autoridades reguladoras de medicamentos, incluindo a Anvisa, além da própria OMS.

Com o slogan “O futuro dos antibióticos depende de todos nós”, o objetivo da campanha global é potencializar as ações individuais dos membros da ICMRA para informar a sociedade e combater a ocorrência da resistência antimicrobiana, evitando complicações de saúde e mortes.

Neste ano, um dos esforços nesse sentido foi a publicação de uma declaração da ICMRA direcionada à indústria de medicamentos, aos profissionais de saúde (humana e animal), aos líderes globais de saúde, a pesquisadores e à mídia. O documento convoca vários segmentos a fazer esforços coletivos para realizar ações conjuntas de divulgação sobre os riscos da resistência antimicrobiana.

Ações contínuas da Anvisa

A Anvisa é membro da ICMRA e apoia a luta contra a resistência antimicrobiana. Em 2012, o órgão instituiu a Câmara Técnica de Resistência Microbiana (Catrem), com a finalidade de assessorar a Diretoria Colegiada (Dicol) na elaboração de normas e medidas para o monitoramento, o controle e a prevenção da resistência microbiana em serviços de saúde no Brasil.

Em 2017, foi publicada a Diretriz Nacional para Elaboração de Programa de Gerenciamento do Uso de Antimicrobianos em Serviços de Saúde, com o objetivo de orientar os profissionais da área na elaboração e na implementação de programas. Já em 2019, a Anvisa iniciou o Projeto Stewardship Brasil, que tem o objetivo de avaliar o panorama nacional desses programas de gerenciamento em hospitais com unidades de terapia intensiva (UTIs) adulto. Além disso, a Anvisa trabalha continuamente na elaboração de materiais e na promoção de ações educativas sobre o assunto.

No Brasil, o monitoramento da resistência microbiana é feito em 2.200 hospitais com leitos de UTI. A área responsável por esse trabalho é a Gerência de Vigilância e Monitoramento em Serviços de Saúde (GVIMS) da Gerência Geral de Tecnologia em Serviços de Saúde (GGTES), que periodicamente divulga dados sobre o assunto por meio de boletins nacionais.

Entenda o que é a resistência antimicrobiana

O consumo inadequado de certos produtos farmacêuticos provoca o que as autoridades sanitárias chamam de resistência antimicrobiana, fenômeno caracterizado pelo desenvolvimento de superbactérias capazes de resistir aos efeitos dos tratamentos das doenças.

Essa resistência é criada quando bactérias são expostas, repetidas vezes, ao uso de um ou mais produtos, como antibióticos e antivirais, entre outros. Com o tempo, os agentes etiológicos que causam as enfermidades deixam de ser impactados e os medicamentos passam a ser limitados no combate à doença.

O problema gera uma série de consequências para toda a população, como o prolongamento de doenças e o aumento da taxa de mortalidade e de internações hospitalares, bem como a ineficiência de terapias preventivas.

Fonte: Anvisa

Skip to content