ORGULHO E PRECONCEITO

AO DESVALORIZAR A ORIENTAÇÃO FARMACÊUTICA AOS PACIENTES, A AGEMED DEMONSTRA IGNORÂNCIA DE TODA A CIÊNCIA FARMACÊUTICA CONSOLIDADA NO ÚLTIMO SÉCULO, REBELA-SE PUBLICAMENTE CONTRA A LEI VIGENTE NO PAÍS E, COMO SE NÃO BASTASSE, ARROGA QUE a CLASSE MÉDICA SERIA ÚNICA LEGÍTIMA DETENTORA DE TODOS OS SABERES NECESSÁRIOS À SAÚDE.
A OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE POSICIONA-SE ASSIM NA VANGUARDA DO ATRASO,
DISSEMINANDO DESINFORMAÇÃO, ORGULHO E PRECONCEITO.
 
A multidisciplinaridade, um dos conceitos da ciência médica mais adotados e bem-sucedidos desde a segunda metade do século XX para cá, ainda é uma completa desconhecida da operadora de planos de saúde Agemed, sediada em Joinville, SC.
Em um infeliz panfleto comercial/publicitário sobre os supostos benefícios do sistema “médicos online”, a Agemed postula que o serviço virtual tem a vantagem de “evitar a orientação dos farmacêuticos”.
Com admirável poder de síntese, em uma só frase a Agemed nos faz conhecer sua própria ignorância da legislação em vigor no país, da arrogância monopolista e do desprezo à transversalidade nas profissões ligadas à saúde.
A Lei Federal 13.021/14 já reconhece plenamente a autoridade dos farmacêuticos e o valor da Assistência Farmacêutica para a sociedade brasileira. Publicar e divulgar posturas contrárias à legislação vigente é, mais que desrespeito profissional, incitação à desobediência civil.
Por outro lado, a arrogância de imaginar que apenas uma profissão da saúde detém o monopólio da ciência e do saber é um perigoso retrocesso.
Nos países desenvolvidos que, de fato, conseguiram implantar sistemas públicos de saúde de qualidade, a multidisciplinaridade é um pilar básico, um conceito científico incontestável, provado e aprovado na experiência prática.
A Agemed expõe, portanto, a sociedade brasileira, a ideologias e corporativismos absolutamente nefastos, atrasados, preconceituosos – e o faz disseminando desinformação, travestida de evolução tecnológica.
O Conselho Regional de Farmácia de Santa Catarina repudia esta postura que desrespeita os farmacêuticos e os valores democraticamente construídos na legislação sobre saúde pública brasileira.
E está tomando as medidas cabíveis ao caso.
 
A DIRETORIA – CRF/SC
Florianópolis, 9 de agosto de 2017.